segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Que região, que participação, que desenvolvimento?

JOSÉ CHARTERS MONTEIRO
Presidente da ADLEI

A ADLEI tem desenvolvido ao longo de mais de duas décadas um papel de consciência cívica e colectiva; tem defendido a participação cívica como meio para o conhecimento dos problemas e para estabelecer objectivos comuns e úteis à população da Região de Leiria. Em parceria com o associativismo social, cultural e económico e com uma prática crítica, mas colaborante, junto da Administração Central, Descentralizada e Local, a ADLEI reafirma o propósito de um melhor desenvolvimento para a Região e a elevação das condições de vida dos seus cidadãos, com positivo reflexo para o País.

QUE REGIÃO?
A Região de Leiria, a área onde mais forte é a sua influência, engloba mas excede a histórica delimitação do distrito; abrangido pelas unidades territoriais NUTS/Centro – Pinhal Litoral e Oeste, é um território muito diferenciado, habitado por uma população experiente e com amplo espectro de actividades. Esta complementaridade de recursos e de aptidões explica o percurso do seu desenvolvimento e o sucesso das suas iniciativas.

QUE PARTICIPAÇÃO?
Participar na definição de estratégias e actuar no terreno com outras entidades públicas e privadas, com os cidadãos, está na génese da ADLEI, é o seu bilhete de identidade e o seu compromisso para com a Sociedade. Se por um lado se torna necessário uma operacionalidade que se estenda a toda a Região de Leiria, até pela dimensão crítica e quantitativa (pouco mais de meio milhão de habitantes), por outro é desejável que se estabeleçam fortes conexões entre todas as entidades da Região para que se rentabilizem competências já existentes, capazes de produzir uma governação esclarecida, partilhada e eficaz, que proporcione bons resultados para a Região e seus habitantes. Será este, também, o nosso melhor contributo para o País.

QUE DESENVOLVIMENTO?
A par de acções de iniciativa mais directa da ADLEI, como o Projecto Cidadania Activa, a Provedoria do Cidadão, o Projecto Agro-paisagem, debates e outros eventos, estão em curso importantes acções conjuntas participadas pela ADLEI e de que se destaca a Plataforma Linha do Oeste e Leiria Região de Excelência. Esta, é uma iniciativa conjunta com o NERLEI, o CIMPL, o IPL, tendo por objectivo contribuir para a qualificação da Região de Leiria, assumindo-se a excelência como uma prática de melhoria contínua nos diferentes níveis: cultural, social, administrativo (público e privado), económico, científico, político. O Fórum Leiria, Região de Excelência é um espaço de debate, de reflexão, veículo privilegiado para conhecimentos e correntes de opinião, para a intervenção na Região, identificando prioridades, soluções e a concretização da melhoria da Região e da qualidade de vida. Participação cívica e criação de confiança entre os agentes – Administração pública, empresas, associações de sector e cívicas, cidadãos – convergem num único e comum objectivo: a excelência da Região de Leiria. Participação, coordenação, plena utilização dos recursos humanos e profissionais, irão permitir dar resposta ao objectivo prioritário: criar riqueza num ambiente de consistência territorial e social.

in Diário de Leiria, 13 de Fevereiro de 2011

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

ADLEI elege novos órgãos sociais

No passado dia 6 de Fevereiro '12 foram eleitos em Assembleia-Geral os novos corpos sociais da ADLEI - Associação para o Desenvolvimento de Leiria, sendo a Direcção presidida por José Charters Monteiro,a Assembleia por Anabela Graça e a Comissão Revisora de Contas por José Carreira.

Tendo como objectivo para o biénio 2012-2014 o reforço da participação cívica, baseada no conhecimento da região, dos seus recursos potencialidades, serão áreas de intervenção da ADLEI a economia, a educação, o ambiente (e especificamente o ordenamento do território e a estrutura urbana da região)  e a sociedade, demografia e sustentabilidade.

Estrategicamente, à ADLEI caberá estabelecer, no imediato horizonte territorial e administrativo, uma rede de forte interacção com os intervenientes e entidades presentes e actuantes na região de Leiria. Participação e diálogo serão determinantes para estabelecer novas hipóteses de desenvolvimento da região, definir-lhe os contornos e o seu posicionamento no espaço nacional e europeu.

Direcção: José Charters Monteiro (presidente), Ana Narciso, António Marques da Cruz, Cláudio Jesus, Diogo Gaspar, Elisabeth Guerra, Luís Perfeito, Micael Sousa, Rosário Neves

Assembleia-Geral: Anabela Graça (presidente), José Augusto Esteves, Anabela Frazão

Comissão Revisora de Contas: José Carreira, Filipa Alves, Francisco Vieira

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Eng.º José Ribeiro Vieira - um homem de coragem

TOMÁS OLIVEIRA DIAS
Ex-Presidente da ADLEI 

Causou grande emoção entre nós a morte do Engº Ribeiro Vieira. A Comunicação Social, a par de muitas figuras nacionais e locais, assim como colaboradores e amigos, expressaram publicamente o seu desgosto prestando-lhe sincera homenagem. Alguns poderão pensar que está tudo dito a seu propósito. Não sou dessa opinião. Julgo que a sua vida e o seu exemplo merecem uma reflexão mais profunda nas suas várias facetas.

Vêm-me à memória as suas «crónicas sem título», que marcam de forma indelével a sua fase final de maturidade plena e de sabedoria. Leitor assíduo dessas crónicas, recordo em especial a que dedicou a Leonel Costa, falecido pouco tempo antes. Podemos imaginar com que emoção o terá feito, companheiros na vida e, agora, na morte. Essa presumível emoção, porém, não transparece do seu texto escrito com serenidade e traçando objectivamente o perfil de quem com ele tinha muitas afinidades e que agora o precedia.

É que Ribeiro Vieira foi sempre um homem de coragem e de serenidade nos vários campos da sua actividade. Podia não estar de acordo, manifestando a sua opinião, mas sempre sem perder o «fair play». Pautou a sua vida pela defesa da aldeia que o viu nascer, da cidade onde exerceu a sua actividade, da região onde estava inserido, do país que sempre trazia no coração.

Como empresário abalançou-se com sucesso a muitos empreendimentos que impulsionava de perto, sem virar a cara aos riscos que teve de correr. Como político, defendeu sempre a democracia com papel activo como militar na revolução Agiu sempre de harmonia com as suas ideias sem se vincular a qualquer força partidária, embora defendendo os partidos. Agiu como independente conforme as suas convicções e aquilo que considerava serem os interesses nacionais e locais. Nunca cedeu a pressões. Era um homem de coragem.

Nos domínios da comunicação social, abalançou-se ao lançamento de um novo jornal, que, na época, muitos julgaram votado ao insucesso e, afinal, tem sido um grande factor de progresso cultural e de desenvolvimento da nossa região. Também aqui foi um homem de coragem.

Nos domínios do associativismo, como presidente do Nerlei, teve papel muito importante na defesa da actividade empresarial do concelho e do distrito,  lançando múltiplas iniciativas, estabelecendo contactos e organizando reuniões,  com altos responsáveis. 

Nos domínios do associativismo cívico, foi um dos fundadores da ADLEI, que apoiou activamente, facultando-lhe as primeiras sedes e intervindo em muitas das suas realizações. Recordo também a sua actividade como presidente da ADLEI e os esforços que desenvolveu no sentido de Leiria ser considerada uma Região de Excelência. Também em matérias de desenvolvimento regional e social foi um homem de coragem.

Por tudo isto e pelo o que ficou por dizer a nossa gratidão. Espero que o seu exemplo perdure e sirva de referência às novas gerações.

in Diário de Leiria, 30 de janeiro de 2012

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Falecimento do Sr. Eng.º José Ribeiro Vieira - Presidente da Assembleia Geral da ADLEI


É com profunda tristeza que a Direcção da ADLEI comunica o falecimento do Engenheiro José Ribeiro Vieira, insigne cidadão de Leiria e do Mundo, seu co-fundador, presidente da ADLEI em 2008/2009 e actual presidente da Assembleia Geral. Um exemplo de cidadania, empreendedorismo e de dedicação à sua região. 

Perdemos um amigo.

“Morre(u) uma parte de nós”.


A Direcção da ADLEI,

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Convite «Educação Superior e Desenvolvimento - Um Estudo Prospectivo do Ensino Superior em Portugal»

A ADLEI divulga a apresentação do livro do seu associado, Professor Luciano de Almeida, intitulado Educação Superior e Desenvolvimento - Um Estudo Prospectivo do Ensino Superior em Portugal.

O autor propõe uma reorganização da rede de estabelecimentos de ensino superior, como forma de responder a um acréscimo significativo da procura do ensino superior e da formação ao longo da vida.

A apresentação está a cargo do também associado da ADLEI, Professor Carlos André, e terá lugar na Arquivo Livraria, em Leiria, pelas 19h do próximo dia 20 de janeiro.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Cidadania activa

GRAÇA SAMPAIO
Associada da ADLEI

Cidadania tem a ver com os outros. E nós estamos cada vez mais centrados em nós próprios. Temos – aqueles que têm – a nossa casa, os nossos equipamentos, o nosso carro, o nosso emprego, a nossa família e pensamos que tudo isto nos basta para sermos cidadãos felizes. E, de facto, assim parece. O pior acontece quando uma ou outra destas componentes falha e nos começamos a sentir sozinhos, incompletos, infelizes.

Muitas vezes, só quando nos acontece um percalço na vida nos apercebemos que não existimos só nós e há que lançar mão do que os outros tenham para nos oferecer – e têm muito!

Muitas horas se gastam nas escolas (e que agora se perderão mercê da última operação cirúrgica realizada nos currículos) a educar as crianças e os jovens para a cidadania, que mais não é que prepará-los para uma vida de convivência democrática no cumprimento de todos os direitos humanos sempre indissoluvelmente aliados a determinados deveres que concorrem de igual modo para essa convivência. O sentido do dever para com o próximo, para com os membros da família, da comunidade, do país, é das facetas da cidadania que a escola teima em inculcar nos alunos desde as idades mais verdes.

Assim, tem-se preparado os jovens para o exercício de uma cidadania ativa levando-os a realizar atividades que em tempos nada tinham a ver com a escola e que são, por exemplo, trabalhos de voluntariado, de visita a lares de idosos, convívio real com crianças e jovens diferentes, de organização de pequenos bancos alimentares, de visitas a hospitais, no intuito de que amanhã consigam ser verdadeiros cidadãos ativos.

Muitos deles, porém, mercê da sua educação de base e das vivências a que estão sujeitos nos ambientes muitas vezes degradados, ou apenas de verdadeiro egoísmo, em que se movem, dificilmente conseguem absorver aqueles ensinamentos e aí temos adultos, como muitos de nós conhecemos bem, capazes de desrespeitar os idosos e as crianças, dominar pelo medo as pessoas mais frágeis exercendo sobre elas violência. A violência doméstica e o abuso de crianças a que se assiste, incompreensivelmente, cada vez mais, são dos maiores flagelos e das maiores vergonhas a que assistimos – quantas vezes sem nada fazer ou dizer – dentro de uma conjuntura histórico-geográfico-social que tem – ou deveria ter – todos as ferramentas para, senão evitá-las, pelo menos combatê-las.

E, como comecei, termino: a Cidadania tem a ver com os outros, mas lembremo-nos que, muitas vezes, os outros podemos ser nós.

in Diário de Leiria, 16 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ADLEI apresenta conjunto de lembranças ao Presidente da Câmara Municipal de Leiria

A Direção da ADLEI apresentou a Raúl Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, um conjunto de lembranças que são o enunciado das necessidades prioritárias da população. O encontro teve lugar a 6 de janeiro e corresponde à última iniciativa pública desta Direção, em final de mandato.

Social
1.Criar um sistema de tele-assistência para as pessoas idosas;

Segurança
2. Manter a exigência do reforço de segurança de proximidade por agentes policiais nas zonas críticas da cidade;

Juventude
3. Promover a participação dos jovens com a constituição de um Conselho Municipal da Juventude;

Centro Histórico
4.Concluir e aprovar o Plano de Pormenor do Centro Histórico e desenvolver um programa de Reabilitação do Centro Histórico com iniciativas calendarizadas para os próximos anos;
-
5.Criar as condições para a instalação da Loja do Cidadão no centro da cidade;
-
6.Monitorizar o estacionamento no centro da cidade – manutenção regular dos parquímetros e diminuir o preço do estacionamento;


Acessibilidades

7.Reestruturar a rede de transportes públicos locais de forma a tornar Leiria um concelho mais acessível e com maior mobilidade e amigo do Ambiente;
-
8.Assumir uma maior intervenção e liderança da manutenção da linha do Oeste de passageiros, da sua modernização e melhorar a ligação à cidade através dos transportes rodoviários;


Turismo

9.Avaliar o impacto da construção de um sistema de acesso mecânico ao Castelo de Leiria;
Ambiente

10.Controlar os sistemas de recolha e tratamento adequado de todos os efluentes agro-industriais e dar imediata prioridade à despoluição suinícola;

Educação

11.Melhorar a qualidade das atividades de enriquecimento curricular no 1ºciclo;


Cultura e Desporto

12. Melhorar a utilização das infra-estruturas culturais e desportivas e potenciar o seu aproveitamento pelas freguesias.

Tempos de crise, tempos de acção


JOSÉ AUGUSTO ESTEVES
Membro da Direcção da ADLEI 

Com as medidas já anunciadas e o vasto programa de dolorosa austeridade imposto ao país, 2012 será um ano de acrescidas dificuldades para uma grande parte dos portugueses, de agravamento da crise económica e de injustificados dramas sociais. Mas seja qual for a leitura e a perspectiva que cada um tenha acerca do que será o ano que agora dá os primeiros passos, ele não pode ser um tempo de aceitação resignada de opções que não são únicas, nem neutras e muito menos inevitáveis, quer no plano nacional, quer no plano local.
Para aqueles que assumem um compromisso de intervenção cidadã, este é um tempo ainda mais exigente de acção. Desde logo, mantendo uma viva vigilância crítica em relação aos que à sombra da crise e por sua causa passaram a adiar e até a condenar em definitivo antigas e justas aspirações das populações, de que é exemplo o que está a acontecer com a Linha do Oeste. Mas, acima de tudo, contribuindo para manter viva a exigência e a procura de solução de muitos problemas que a comunidade em que nos inserimos enfrenta. Uns serão problemas que assumem uma nova amplitude com a crise, agravadas pelas opções de política económica e social que estão a ser tomadas, como é caso do desemprego e da pobreza que não podem ser calados e aceites de forma conformada, incluindo pelos poderes locais. Outros serão problemas que há muito se arrastam e são imprescindíveis ao desenvolvimento local e regional.
A crise não pode ser pretexto para adiar por mais tempo uma solução para a despoluição da Bacia do Lis, nomeadamente o grave problema da recolha e tratamento dos efluentes agro-industriais e prioritariamente a concretização do sistema de despoluição suinícola que agora conhece um novo e inexplicável contratempo com o auto afastamento da Simlis/Águas de Portugal desse projecto. Assim como as dificuldades financeiras não podem explicar os atrasos na conclusão e aprovação do Plano de Pormenor do Centro Histórico de Leiria ou da revisão do plano Director Municipal, dando resposta a sentidas aspirações das populações que sentem o desenvolvimento das suas terras cerceado.
São insistentes os convites ao conformismo e à resignação, mas esses não são os nossos desejos para o ano novo que aí está.

in Diário de Leiria, 2 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Joel Correia vence Prémio "Villa Portela"

No passado dia 16 de dezembro, a ADLEI entregou o Prémio Villa Portela, numa sessão realizada no auditório do Centro Associativo de Leiria. Joel Correia, estudante de arquitetura, é o autor do trabalho premiado (com o título Leiria: a evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)), no qual aborda a história urbana e arquitectónica de Leiria ao longo do século XX. Abaixo, a entrevista de Joel Correia ao semanário Região de Leiria.

Como surgiu a ideia para “Leiria: A evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)”?

Surge da necessidade de elaborar um trabalho de investigação que funciona como momento final do curso de Mestrado Integrado em Arquitectura que frequento. Desde início que fiz questão de centrar o meu objecto de estudo na cidade de Leiria. Fazia todo o sentido por ser a cidade onde cresci e cujas ruas me habituei a percorrer. O período temporal surge um pouco por acaso: já tinha algum interesse pela arquitectura modernista, depois, ao pesquisar obras escritas acerca deste momento da história da evolução do espaço urbano da cidade, descobri que existia muito pouca informação acerca disto. A intensa pesquisa nos arquivos municipais acabaria por levar à descoberta de uma interessante quantidade de cartografia e planos para Leiria, o que determinou a opção final pelo tema.

O júri elogiou o carácter inovador do seu trabalho. Quais as principais novidades que resultaram da sua investigação sobre a história urbana e arquitectónica de Leiria naquele período?

Grande parte dos trabalhos que incidem sobre a evolução do espaço urbano de Leiria terminam a sua análise no século XIX ou início do século XX, como a obra de Ernesto Korrodi. No entanto, é a partir da segunda década deste século, com a urbanização da antiga cerca do Convento de Santana, que se inicia a expansão urbana que extravasa a malha medieval.

O concurso para o Plano de Melhoramentos e Modernização para a cidade de Leiria de 1926, com a apresentação de propostas por parte do arquitecto leiriense Fernando Santa-Rita e pelo arquitecto urbanista de renome nacional Luís Cristino da Silva, daria início a um interessante conjunto de várias propostas urbanas apresentadas para a cidade de Leiria.

Penso que este trabalho pode ser inovador pela análise da relação entre os vários planos, cartografia e arquitecturas, incidindo sobretudo em duas áreas que considero que, pela sua dinâmica social, económica e cultural, foram os “centros” da cidade moderna: o Bairro de Santana, envolvente à Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e a Avenida Heróis de Angola.

Espero que este documento desperte o interesse por este tema e que possa servir de base à elaboração de novos estudos acerca da problemática do crescimento urbano. Este momento de crise económica e o consequente abrandamento da construção urbana é o tempo ideal para se pensar a cidade, e tal como refere arquitecto leiriense João Belo Rodeia num semanário da região, “quando se pensa a cidade numa perspectiva do seu devir, tem de se pensar na sua história, que gera uma identidade distinta das outras”.

Tem outros trabalhos anteriores realizados nesta área?

Este é o meu primeiro trabalho na área de investigação. Não me considero um historiador, sou apenas um estudante de arquitectura, e é com base nesta disciplina que faço a minha análise.


O que significa receber o Prémio Villa Portela?

É uma honra para mim ser o vencedor da primeira edição do Prémio Villa Portela. Sinto que é o reconhecer do longo caminho percorrido, a valorização do árduo e demorado trabalho de investigação. O processo nem sempre foi fácil, existiram alguns percalços e situações inesperadas, mas no final sinto que valeu a pena. Este prémio é também de todas as pessoas que me apoiaram e acreditaram em mim, dos incansáveis funcionários do arquivo municipal e das entidades que tornaram este trabalho possível.

O Prémio Villa Portela

ACÁCIO DE SOUSA
Presidente do Júri de Selecção do Prémio "Villa Portela"
Associado da ADLEI

O estudo da História e do Património da Região tem verificado um notável incremento com a progressiva sensibilidade para a preservação das memórias e a sua valorização, não sendo alheio o crescimento do ensino superior e os reflexos em todos os níveis de ensino.

Contudo, autodidactas e outros estudiosos vindos de outros campos de formação, são também elementos preciosos ao levantarem pistas para novas interpretações que muitas vezes nos levam além dos habituais parâmetros académicos.

A atribuição de bolsas ou de prémios a trabalhos que tragam qualidade e inovação, são assim um extraordinário estímulo para o reconhecimento do mérito e dos novos contributos que nos façam entender melhor esta Região onde vivemos.

Neste sentido, o Prémio “Vila Portela” é exemplar por várias razões:

- é patrocinado por um cidadão, o Engº Ricardo Charters d’Azevedo, sem estar vinculado ao erário público;

- estimula o aparecimento de novos autores, independentemente da idade;

- é um bom prémio pecuniário;

- o patrono, vindo das áreas da Engenharia e da Administração Pública, é um exemplo de entusiasmo com a investigação historiográfica,;

- agregou o interesse de vários parceiros: a ADLEI na organização; a Gradiva na edição do trabalho vencedor; a Câmara Municipal e o Instituto Politécnico em apoios genéricos e também na representação no júri de selecção.

Aberto o concurso e avaliados os trabalhos concorrentes nesta 1ª edição, o júri declarou por unanimidade que: ...se congratula com a qualidade acima da mediania de todos os trabalhos apresentados, o que se tornou num estimulante desafio face à exigência necessária para a atribuição do 1º prémio. Contudo, o trabalho assinado com o pseudónimo “Urbanae”, intitulado “Leiria: a evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)” destacou-se...e é a obra premiada. Incidindo sobre a história urbana e arquitectónica de Leiria ao longo do século XX...revela uma abordagem muito sólida...e reveste um evidente carácter inovador....

O Joel da Costa Correia foi o vencedor. Não só está ele de parabéns, como estão os organizadores e a própria Região de Leiria.

in Diário de Leiria, 19 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cidadania, solidariedade e alegria


 FILIPA ALVES
Membro da Direcção da ADLEI

Assisti no dia 22 de novembro, a um espetáculo organizado pelo Colégio Nossa Senhora de Fátima para angariar fundos a favor do Centro de Acolhimento de Leiria. Adorei. Foi um espetáculo alegre, bem apresentado, envolveu muitos alunos e professores e foi divertido.

Estou convencida que o resultado obtido só foi possível pelo envolvimento e trabalho realizado há muito por toda a equipa que constitui esta Escola, que prossegue a sua missão de Educar pelos valores, mantendo um elevado nível de qualidade, tantas vezes comprovado e tão poucas enaltecido. E assim vai formando gerações, formando cidadãos mais participativos e conscientes.

Claro que como mãe os meus olhos são parciais, mas de facto foi importante ver o empenho dos alunos para que o espetáculo fosse um sucesso, para se angariar o maior valor possível. No dia seguinte foi muito importante saberem que tinham recolhido um valor significativo. Trata-se de um envolvimento para uma consciência coletiva de ajudar quem precisa. Sem paternalismo nem pena. Com ação, envolvimento e alegria!
Neste mundo complexo, neste momento difícil as respostas não nos podem carregar ainda mais. O fardo já é pesado. Vamos levá-lo a bom porto com alegria, consciência e ação.

A cidadania neste mundo actual, assumida desta forma permite contribuir para a formação de indivíduos que se assumam como protagonistas para encontrar respostas para os diferentes desafios e contrariedades da vida reforçando o sentimento de pertença à comunidade e permitindo que contribuam ativamente para o processo de desenvolvimento sustentável. Assumindo esse desenvolvimento,  conforme referido pela Unesco, nos três pilares essenciais que lhe dão forma: sociedade, ambiente e economia.

in Diário de Leiria, 5 de Dezembro de 2011

sábado, 3 de dezembro de 2011

Prémio Villa Portela

COMUNICADO

Com a finalidade de desenvolver o gosto pela investigação no âmbito da História e do Património da Região de Leiria, à qual se junta o concelho de Ourém, que são da mais elevada importância para a cultura nacional, Ricardo Charters d’ Azevedo e a Associação para o Desenvolvimento de Leiria (ADLEI) instituíram o Prémio “Villa Portela”, em parceria com a Câmara Municipal de Leiria, o Instituto Politécnico de Leiria e a editora Gradiva.
A primeira edição realizou-se durante o ano de 2011 e apresentaram-se a concurso vários trabalhos. Foi premiado o trabalho com o título - “Leiria: A evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)”, incidindo sobre a história urbana e arquitectónica de Leiria sobretudo para aquele período do século XX.
O autor do trabalho vencedor, que utilizou o pseudónimo “Urbanae”, Joel da Costa Correia, nasceu em Leiria, tem 25 anos, reside em Reixida, na freguesia de Cortes e completou o ensino secundário nesta cidade, ingressando em 2004 no curso de Mestrado Integrado em Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.
O júri do concurso considerou que “… a obra reveste um evidente carácter inovador e contribui para acrescentar conhecimento inédito e motivar novos estudos tanto no âmbito da história local leiriense, como ao nível nacional.”
O júri congratulou-se com a qualidade de todos os trabalhos apresentados propondo para todos a atribuição de menções honrosas.
O Prémio com o valor de dois mil euros será entregue numa sessão pública, no dia 16 de Dezembro, pelas 18h, no auditório do Centro Associativo de Leiria. 


A Direcção da ADLEI, 
Leiria, 2 de Dezembro de 2011

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tertúlia «Responsabilidade social organizacional: experiências na região»


No âmbito do ciclo de tertúlias Diálogos com a Região, a Nerlei recebe no próximo dia 28 de Novembro, pelas 18h00, a tertúlia Responsabilidade social organizacional: experiências na região.

No âmbito do projecto de investigação-acção Responsabilidade Social das Organizações: ADN da estratégia empresarial, promovido pelo CIGS (Centro de Investigação em Gestão para a Sustentabilidade) do Instituto Politécnico de Leiria, foi criado, em Outubro de 2010, um grupo-piloto de empresas da região com dimensões diferentes e oriundas de sectores de actividade distintos. 

Nesta tertúlia, responsáveis da ínCentea – Tecnologias de Gestão, S.A., do Centro Hospitalar de S. Francisco, da Simlis – Saneamento Integrado do Lis, S.A., e da Veolia – Águas de Ourém, que participaram no projecto, partilharão as suas experiências de responsabilidade social, num debate conduzido por Sandra Lemos, do CIGS/IPLeiria.

Este ciclo de tertúlias é desenvolvido no âmbito do projecto Leiria, Região de Excelência, assumindo-se como um espaço de reflexão sobre a região, no qual, as ideias apresentadas pelos convidados e por todos os presentes contribuem para o surgimento de sugestões concretas para a qualificação da região.

 

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Academia Portuguesa de História distingue livro sobre o portal do Mosteiro da Batalha

O Prémio Fundação Calouste Gulbenkian - História da Europa acaba de ser atribuído pela Academia Portuguesa de História ao livro bilingue O Portal de Santa Maria da Vitória da Batalha e a arte europeia do seu tempo, da autoria do Professor Jean-Marie Guillouët e edição da Textiverso, de Leiria. O livro é o primeiro volume da Colecção Portugalia Sacra, dirigida pelo Prof. Doutor Saul António Gomes. 
 
O portal principal do mosteiro dominicano da Batalha constituiu, durante muito tempo, um enigma no panorama monumental português do fim da Idade Média. Marcando uma ruptura no desenvolvimento artístico do reino lusitano, os historiadores não conseguiam atribuir-lhe uma fonte segura. Só mais tarde seria possível reconstituir a influência de várias oficinas de escultores de formação − se não de origem − normanda ou picarda, que terão estado em contacto com os trabalhos franceses mais ilustres do fim do século XIV e, depois, continuado activos na Catalunha e no Levante peninsular, na primeira década do século seguinte, antes de trabalharem, no segundo quartel do século XV, no portal da Batalha.

Foi à reconstituição desse percurso que Jean-Marie Guillouët, professor da Universidade de Paris IV (Sorbonne), a realizar um pós-doutoramento na Universidade de Coimbra, se dedicou de forma aturada, num estudo pioneiro que estabelece indubitavelmente um novo patamar, e alto, no conhecimento da iconografia do Mosteiro da Batalha.

A cerimónia de entrega do prémio ocorrerá no próximo dia 7 de Dezembro, pelas 15h00, na Academia Portuguesa da História, em Lisboa.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O TURISMO E A REGIÃO - ao encontro de novas respostas

ANABELA GRAÇA
Presidente da ADLEI 
 
No âmbito do projeto LEIRIA REGIÃO DE EXCELÊNCIA, a NERLEI, a Associação para o Desenvolvimento de Leiria, a Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral e o Instituto Politécnico de Leiria, estão a promover o ciclo de tertúlias "Diálogos com a Região". O objetivo destas tertúlias é refletir sobre a região, em que as ideias apresentadas pelos presentes, com as suas interrogações e as suas convicções, possam contribuir para o surgimento de medidas concretas, promovendo um novo olhar e uma nova forma de sentir este nosso território. No dia 27 de setembro debateu-se o tema do turismo, refletindo sobre o futuro do turismo regional, face à situação de crise financeira da Entidade Regional de Turismo (ERT) Leiria/Fátima e às crescentes dificuldades que têm vindo a enfrentar para cumprir as suas funções de defesa e promoção do turismo da nossa região. 

A marca Leiria/Fátima é uma realidade afirmada ao longo dos anos, uma vez que o território tem um enorme potencial ao nível do património histórico/cultural, natural e do turismo religioso, âncoras suficientes para o sucesso do turismo regional. 

Foram identificados, como fragilidades da ETR Leiria/Fátima, os problemas do desconhecimento e integração com a estratégia nacional de turismo, as dificuldades em articular o local com o regional e o nacional, a necessidade de mais autonomia financeira, a necessidade de se encontrarem motivos que justifiquem a permanência por mais tempo dos turistas na região, bem como o pecado do “individualismo excessivo” dos vários agentes e a postura do “salve-se quem puder”.

Concluiu-se que é urgente: vontade política para se conseguir repensar o modelo institucional das regiões de turismo, no domínio das competências e do financiamento; traçar uma estratégia regional com a valorização do “produto cultural”; congregar esforços para melhorar a promoção da região; articular as vertentes empresarial e académica; melhorar a comunicação entre os diferentes atores.
É fundamental dar escala à região, ter massa crítica, integrar novos destinos turísticos e criar uma identidade, reforçando a sua visibilidade e  atratividade, projetando a sua imagem. 

Enquanto os agentes regionais não conceberem e planearem uma estratégia eficaz e virada para o futuro, num ambiente de consenso que integre todos os interesses locais, não sairemos deste impasse.

in Diário de Leiria, 7 de Novembro de 2011

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Turismo na região: miragem ou realidade

JOÃO MORGADO
Associado da ADLEI

O título desta crónica foi também o tema de um debate que organizei há 3 anos, num tempo em que o cronista ocasional que hoje vos escreve (se o barrete cabe aos políticos também caberá aos cronistas) era ainda um imberbe. Na altura estava na calha a reforma das regiões de turismo, pelo que em conjunto com dois colegas organizei um debate com o Presidente da Região de Turismo Leiria/Fátima, na altura Miguel Sousinha, o Presidente da Câmara Municipal da Nazaré ainda em funções e o criador de marcas Carlos Coelho, como culminar de um trabalho escolar sobre turismo na região de Leiria.

Desse debate depreendi algumas ideias bastante claras: se por um lado sempre entendi que a região tem um enorme potencial por explorar no sector por outro, a manutenção da região de turismo de Leiria/Fátima pareceu-me desde o inicio um incontornável equívoco, o que os recentes desenvolvimentos quanto à sua inoperacionalidade vêm confirmar.  

Admitindo que esta conclusão poderá parecer algo severa para o leitor mais bairrista, passo explicar os factores que me conduziram a ela. Em primeiro lugar destacaria o facto de a região ter ficado amputada de dois dos seus concelhos mais importantes aquando da reestruturação, entenda-se Nazaré e Alcobaça ou, trocando por miúdos, uma das praias mais emblemáticas do país e um dos seus monumentos mais importantes. Outro dos pontos que me parece evidente é que uma região de turismo desta dimensão nunca terá capacidade de se projectar internacionalmente – quando não há dinheiro para salários não haverá para mais nada. De resto, este último argumento aplica-se a qualquer região do país à excepção de Lisboa, Porto e Algarve, para às quais a história e a geografia se encarregaram de fazer esse trabalho.

Sem mais demoras, a única forma de “exportar” a nossa região - ou qualquer outra - será necessariamente através da criação de um “produto” turístico que integre tudo o que ela tem de bom, (os mosteiros, as praias, os castelos, a gastronomia…), e que possa ser vendido nos sítios onde chegam os turistas, voltando a trocar por miúdos – Lisboa!

in Diário de Leiria, 24 de Outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Leiria: é preciso...!


PEDRO CORDEIRO
Membro da Direcção da ADLEI 

Os Portugueses como outros conhecem bem os problemas do endividamento e o quanto honrado será pagar as contas, todos respeitamos os sacrifícios dos outros como esperamos que reconheçam os nossos, todos queremos mudar de assunto, pois relativamente a isto parece não haver nada mais a fazer. 

As contas da Câmara Municipal Leiria têm evidentemente condicionado a sua operacionalidade e concentrado o seu discurso nesse monstro da gestão dos problemas, parece também não haver mais nada a dizer.


A Câmara Municipal de Leiria é uma estrutura com dimensão para desenvolver projectos próprios, estratégicos, e tem o privilégio de estar informada como ninguém sobre o seu município, como tal, tem potencial para propor mas o que sentimos é um certo torpor. Como os portugueses a Câmara Municipal de Leiria está deprimida!


Como todos, a Câmara Municipal de Leiria tem de facto problemas mas também responsabilidades administrativas diferentes das empresas e das famílias. Enquanto administração local tem ainda competências, que geram legitimas expectativas nos munícipes, que estão muito para além da sua honrada contabilidade.


Todos gostávamos de conhecer a sua estratégia ou mesmo e apenas, uma romântica ideia para o futuro desta cidade, seria como sonhar com os melhores dias que “virão”…


Para isso, será necessário desenvolver o trabalho, provavelmente já feito, do levantamento da condição actual do município, reconhecer a essência dos problemas e o potencial existente, ponderar e propor um caminho que todos possamos compreender e se possível todos possamos acelerar.


“É preciso…” entender a cidade para saber entender o seu papel. “Não é preciso…” acreditar na especialização, podem ser várias as especialidades e uma cidade é sempre complexidade,
                                                                       mas que o seu conjunto seja Leiria e uma ideia.

in Diário de Leiria, 10 de Novembro de 2011