segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

ADLEI apresenta conjunto de lembranças ao Presidente da Câmara Municipal de Leiria

A Direção da ADLEI apresentou a Raúl Castro, Presidente da Câmara Municipal de Leiria, um conjunto de lembranças que são o enunciado das necessidades prioritárias da população. O encontro teve lugar a 6 de janeiro e corresponde à última iniciativa pública desta Direção, em final de mandato.

Social
1.Criar um sistema de tele-assistência para as pessoas idosas;

Segurança
2. Manter a exigência do reforço de segurança de proximidade por agentes policiais nas zonas críticas da cidade;

Juventude
3. Promover a participação dos jovens com a constituição de um Conselho Municipal da Juventude;

Centro Histórico
4.Concluir e aprovar o Plano de Pormenor do Centro Histórico e desenvolver um programa de Reabilitação do Centro Histórico com iniciativas calendarizadas para os próximos anos;
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5.Criar as condições para a instalação da Loja do Cidadão no centro da cidade;
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6.Monitorizar o estacionamento no centro da cidade – manutenção regular dos parquímetros e diminuir o preço do estacionamento;


Acessibilidades

7.Reestruturar a rede de transportes públicos locais de forma a tornar Leiria um concelho mais acessível e com maior mobilidade e amigo do Ambiente;
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8.Assumir uma maior intervenção e liderança da manutenção da linha do Oeste de passageiros, da sua modernização e melhorar a ligação à cidade através dos transportes rodoviários;


Turismo

9.Avaliar o impacto da construção de um sistema de acesso mecânico ao Castelo de Leiria;
Ambiente

10.Controlar os sistemas de recolha e tratamento adequado de todos os efluentes agro-industriais e dar imediata prioridade à despoluição suinícola;

Educação

11.Melhorar a qualidade das atividades de enriquecimento curricular no 1ºciclo;


Cultura e Desporto

12. Melhorar a utilização das infra-estruturas culturais e desportivas e potenciar o seu aproveitamento pelas freguesias.

Tempos de crise, tempos de acção


JOSÉ AUGUSTO ESTEVES
Membro da Direcção da ADLEI 

Com as medidas já anunciadas e o vasto programa de dolorosa austeridade imposto ao país, 2012 será um ano de acrescidas dificuldades para uma grande parte dos portugueses, de agravamento da crise económica e de injustificados dramas sociais. Mas seja qual for a leitura e a perspectiva que cada um tenha acerca do que será o ano que agora dá os primeiros passos, ele não pode ser um tempo de aceitação resignada de opções que não são únicas, nem neutras e muito menos inevitáveis, quer no plano nacional, quer no plano local.
Para aqueles que assumem um compromisso de intervenção cidadã, este é um tempo ainda mais exigente de acção. Desde logo, mantendo uma viva vigilância crítica em relação aos que à sombra da crise e por sua causa passaram a adiar e até a condenar em definitivo antigas e justas aspirações das populações, de que é exemplo o que está a acontecer com a Linha do Oeste. Mas, acima de tudo, contribuindo para manter viva a exigência e a procura de solução de muitos problemas que a comunidade em que nos inserimos enfrenta. Uns serão problemas que assumem uma nova amplitude com a crise, agravadas pelas opções de política económica e social que estão a ser tomadas, como é caso do desemprego e da pobreza que não podem ser calados e aceites de forma conformada, incluindo pelos poderes locais. Outros serão problemas que há muito se arrastam e são imprescindíveis ao desenvolvimento local e regional.
A crise não pode ser pretexto para adiar por mais tempo uma solução para a despoluição da Bacia do Lis, nomeadamente o grave problema da recolha e tratamento dos efluentes agro-industriais e prioritariamente a concretização do sistema de despoluição suinícola que agora conhece um novo e inexplicável contratempo com o auto afastamento da Simlis/Águas de Portugal desse projecto. Assim como as dificuldades financeiras não podem explicar os atrasos na conclusão e aprovação do Plano de Pormenor do Centro Histórico de Leiria ou da revisão do plano Director Municipal, dando resposta a sentidas aspirações das populações que sentem o desenvolvimento das suas terras cerceado.
São insistentes os convites ao conformismo e à resignação, mas esses não são os nossos desejos para o ano novo que aí está.

in Diário de Leiria, 2 de Janeiro de 2012

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Joel Correia vence Prémio "Villa Portela"

No passado dia 16 de dezembro, a ADLEI entregou o Prémio Villa Portela, numa sessão realizada no auditório do Centro Associativo de Leiria. Joel Correia, estudante de arquitetura, é o autor do trabalho premiado (com o título Leiria: a evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)), no qual aborda a história urbana e arquitectónica de Leiria ao longo do século XX. Abaixo, a entrevista de Joel Correia ao semanário Região de Leiria.

Como surgiu a ideia para “Leiria: A evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)”?

Surge da necessidade de elaborar um trabalho de investigação que funciona como momento final do curso de Mestrado Integrado em Arquitectura que frequento. Desde início que fiz questão de centrar o meu objecto de estudo na cidade de Leiria. Fazia todo o sentido por ser a cidade onde cresci e cujas ruas me habituei a percorrer. O período temporal surge um pouco por acaso: já tinha algum interesse pela arquitectura modernista, depois, ao pesquisar obras escritas acerca deste momento da história da evolução do espaço urbano da cidade, descobri que existia muito pouca informação acerca disto. A intensa pesquisa nos arquivos municipais acabaria por levar à descoberta de uma interessante quantidade de cartografia e planos para Leiria, o que determinou a opção final pelo tema.

O júri elogiou o carácter inovador do seu trabalho. Quais as principais novidades que resultaram da sua investigação sobre a história urbana e arquitectónica de Leiria naquele período?

Grande parte dos trabalhos que incidem sobre a evolução do espaço urbano de Leiria terminam a sua análise no século XIX ou início do século XX, como a obra de Ernesto Korrodi. No entanto, é a partir da segunda década deste século, com a urbanização da antiga cerca do Convento de Santana, que se inicia a expansão urbana que extravasa a malha medieval.

O concurso para o Plano de Melhoramentos e Modernização para a cidade de Leiria de 1926, com a apresentação de propostas por parte do arquitecto leiriense Fernando Santa-Rita e pelo arquitecto urbanista de renome nacional Luís Cristino da Silva, daria início a um interessante conjunto de várias propostas urbanas apresentadas para a cidade de Leiria.

Penso que este trabalho pode ser inovador pela análise da relação entre os vários planos, cartografia e arquitecturas, incidindo sobretudo em duas áreas que considero que, pela sua dinâmica social, económica e cultural, foram os “centros” da cidade moderna: o Bairro de Santana, envolvente à Avenida dos Combatentes da Grande Guerra e a Avenida Heróis de Angola.

Espero que este documento desperte o interesse por este tema e que possa servir de base à elaboração de novos estudos acerca da problemática do crescimento urbano. Este momento de crise económica e o consequente abrandamento da construção urbana é o tempo ideal para se pensar a cidade, e tal como refere arquitecto leiriense João Belo Rodeia num semanário da região, “quando se pensa a cidade numa perspectiva do seu devir, tem de se pensar na sua história, que gera uma identidade distinta das outras”.

Tem outros trabalhos anteriores realizados nesta área?

Este é o meu primeiro trabalho na área de investigação. Não me considero um historiador, sou apenas um estudante de arquitectura, e é com base nesta disciplina que faço a minha análise.


O que significa receber o Prémio Villa Portela?

É uma honra para mim ser o vencedor da primeira edição do Prémio Villa Portela. Sinto que é o reconhecer do longo caminho percorrido, a valorização do árduo e demorado trabalho de investigação. O processo nem sempre foi fácil, existiram alguns percalços e situações inesperadas, mas no final sinto que valeu a pena. Este prémio é também de todas as pessoas que me apoiaram e acreditaram em mim, dos incansáveis funcionários do arquivo municipal e das entidades que tornaram este trabalho possível.

O Prémio Villa Portela

ACÁCIO DE SOUSA
Presidente do Júri de Selecção do Prémio "Villa Portela"
Associado da ADLEI

O estudo da História e do Património da Região tem verificado um notável incremento com a progressiva sensibilidade para a preservação das memórias e a sua valorização, não sendo alheio o crescimento do ensino superior e os reflexos em todos os níveis de ensino.

Contudo, autodidactas e outros estudiosos vindos de outros campos de formação, são também elementos preciosos ao levantarem pistas para novas interpretações que muitas vezes nos levam além dos habituais parâmetros académicos.

A atribuição de bolsas ou de prémios a trabalhos que tragam qualidade e inovação, são assim um extraordinário estímulo para o reconhecimento do mérito e dos novos contributos que nos façam entender melhor esta Região onde vivemos.

Neste sentido, o Prémio “Vila Portela” é exemplar por várias razões:

- é patrocinado por um cidadão, o Engº Ricardo Charters d’Azevedo, sem estar vinculado ao erário público;

- estimula o aparecimento de novos autores, independentemente da idade;

- é um bom prémio pecuniário;

- o patrono, vindo das áreas da Engenharia e da Administração Pública, é um exemplo de entusiasmo com a investigação historiográfica,;

- agregou o interesse de vários parceiros: a ADLEI na organização; a Gradiva na edição do trabalho vencedor; a Câmara Municipal e o Instituto Politécnico em apoios genéricos e também na representação no júri de selecção.

Aberto o concurso e avaliados os trabalhos concorrentes nesta 1ª edição, o júri declarou por unanimidade que: ...se congratula com a qualidade acima da mediania de todos os trabalhos apresentados, o que se tornou num estimulante desafio face à exigência necessária para a atribuição do 1º prémio. Contudo, o trabalho assinado com o pseudónimo “Urbanae”, intitulado “Leiria: a evolução do espaço urbano da cidade moderna (1926-1974)” destacou-se...e é a obra premiada. Incidindo sobre a história urbana e arquitectónica de Leiria ao longo do século XX...revela uma abordagem muito sólida...e reveste um evidente carácter inovador....

O Joel da Costa Correia foi o vencedor. Não só está ele de parabéns, como estão os organizadores e a própria Região de Leiria.

in Diário de Leiria, 19 de dezembro de 2011

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Cidadania, solidariedade e alegria


 FILIPA ALVES
Membro da Direcção da ADLEI

Assisti no dia 22 de novembro, a um espetáculo organizado pelo Colégio Nossa Senhora de Fátima para angariar fundos a favor do Centro de Acolhimento de Leiria. Adorei. Foi um espetáculo alegre, bem apresentado, envolveu muitos alunos e professores e foi divertido.

Estou convencida que o resultado obtido só foi possível pelo envolvimento e trabalho realizado há muito por toda a equipa que constitui esta Escola, que prossegue a sua missão de Educar pelos valores, mantendo um elevado nível de qualidade, tantas vezes comprovado e tão poucas enaltecido. E assim vai formando gerações, formando cidadãos mais participativos e conscientes.

Claro que como mãe os meus olhos são parciais, mas de facto foi importante ver o empenho dos alunos para que o espetáculo fosse um sucesso, para se angariar o maior valor possível. No dia seguinte foi muito importante saberem que tinham recolhido um valor significativo. Trata-se de um envolvimento para uma consciência coletiva de ajudar quem precisa. Sem paternalismo nem pena. Com ação, envolvimento e alegria!
Neste mundo complexo, neste momento difícil as respostas não nos podem carregar ainda mais. O fardo já é pesado. Vamos levá-lo a bom porto com alegria, consciência e ação.

A cidadania neste mundo actual, assumida desta forma permite contribuir para a formação de indivíduos que se assumam como protagonistas para encontrar respostas para os diferentes desafios e contrariedades da vida reforçando o sentimento de pertença à comunidade e permitindo que contribuam ativamente para o processo de desenvolvimento sustentável. Assumindo esse desenvolvimento,  conforme referido pela Unesco, nos três pilares essenciais que lhe dão forma: sociedade, ambiente e economia.

in Diário de Leiria, 5 de Dezembro de 2011