domingo, 15 de maio de 2011

«António Barreto aponta convergência política como condição para sair da crise»



«A convergência política, o aumento da produtividade e da idade de reforma e a manutenção de alguma protecção social. Estas são as condições essenciais para que Portugal consiga sair da crise em que se encontra, entende António Barreto, sociólogo e presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Em conjunto com o empresário Herique Neto, António Barreto foi o orador da conferência Pensar o país, promovida pela ADLEI – Associação de Desenvolvimento de Leiria e pela Livraria Arquivo e que decorreu na noite de ontem, em Leiria. Referindo-se à actual situação do país, o sociólogo lembrou os seus tempos de governante. Na altura, disseram-me para ir à Alemanha pedir um empréstimo de 50 milhões de contos, e fui. Mas não se compara com o sufoco de pedir 80 mil milhões, adiantou.
Muito embora considerando que a actual crise que atinge o país é o resultado da conjunção do impacto da crise internacional, o consumo nacional e a acção das autoridades políticas, António Barreto referiu considerar que os responsáveis políticos são, no seu entender, os principais responsáveis.
As autoridades nacionais deveriam ter previsto as situações mais difíceis que atravessamos e deviam ter tomado medidas há anos, afirmou. Bastava que há dois anos houvesse um governo de coligação e tudo seria mais simples, acrescentou. Na altura seria possível não fazer mais parcerias público-privadas e parar o TGV, exemplificou para dar conta de algumas das medidas que deveriam ter sido tomadas.
Agora, entende, será necessário o entendimento entre partidos que cesse com a permanente crispação política, o reforço do esforço nacional em simultâneo com a preservação de algum apoio social, uma vez que não é possível preservar a protecção que existe actualmente.
Já o empresário Henrique Neto, centrando a sua intervenção sobre o futuro da região de Leiria, apontou as suas vantagens: pouca dependência do Estado, diversidade económica e empreendedorismo. Lamentou que cá, como no país, falte comunicação entre os vários actores económico-sociais, bem como autarquias que apostem numa estratégia de desenvolvimento económico. Mas deixou uma palavra de esperança: Se pensarmos a região de forma integrada, penso que Leiria pode ser um caso de sucesso».

in Região de Leiria, 12 de Maio de 2011

Prémio Villa Portela

RICARDO CHARTERS D' AZEVEDO
Associado da ADLEI

Com o duplo objectivo de homenagear os meus antepassados que viveram na Villa Portela, em Leiria, e contribuir para o desenvolvimento da investigação em História Local do distrito de Leiria e do concelho de Ourém, resolvi instituir um prémio, a ser atribuído pela ADLEI – Associação para o Desenvolvimento de Leiria, com a colaboração da Câmara Municipal de Leiria, do Instituto Politécnico de Leiria e da editora Gradiva. Este prémio com uma periodicidade bienal, realizando-se em 2011 a primeira edição, tem como data limite para apresentação dos trabalhos concorrentes, o dia 31 de Julho de 2011. O regulamento pode ser solicitado à ADLEI (adlei.leiria@gmail.com).

Na actualidade, a importância da história vem sendo enfatizada, mais e mais, observando-se a sua vivacidade no crescente impacto sobre o quotidiano das pessoas por meio do jornalismo instantâneo e de pesquisa, dos média em geral, da internet e das novas tecnologias da informação.

Ademais, as últimas décadas do século XX trouxeram-nos tantas e tão profundas mudanças que a necessidade de mergulhar na história é uma obrigação. Talvez, como nunca, se sinta tanto a necessidade de saber quem somos, de onde viemos e para onde vamos.

Sem investigação histórica poderemos cometer muitos erros de interpretação dos dados arqueológicos; sem investigação histórica deixamos de ter um melhor conhecimento sobre o que se passou antes de nós estarmos cá; sem investigação histórica parece-me difícil que possamos interpretar correctamente os sinais da evolução e de desenvolvimento do presente e traçar rumos para o futuro.

Sempre me pareceu que o conhecimento do passado e das suas instituições, quando se não converta no culto saudosista de arcaísmos, muito contribui para imprimir mais consciente vigor ao anseio de renovação e de progresso que deve ser uma constante da nossa vida colectiva.


in Diário de Leiria, 9 de Maio de 2011

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Jornada de Estudo «Tomás Oliveira Dias: o homem e as causas»

A ADLEI vai realizar a Jornada de Estudo Tomás Oliveira Dias - O Homem e as Causas, no próximo dia 21 de Maio, pelas 17h, no Teatro Miguel Franco, em Leiria. Com esta iniciativa, a ADLEI pretende promover um reconhecimento público da vida do ilustre cidadão Tomás Oliveira Dias, pelo seu esforço em prol da democracia e do inequívoco valor que mantém na sociedade portuguesa e em particular na região de Leiria. As inscrições para a jornada e para o jantar decorrem até 13 de Maio, através dos telefones 244815160 / 915358031 ou e-mail da ADLEI adlei.leiria@gmail.com. O jantar realiza-se na Sala de Conferências do Turismo de Leiria, no Jardim Luís de Camões, e terá o preço de 25€ (a pagar no próprio dia do jantar, em numerário ou cheque).


domingo, 1 de maio de 2011

O papel dos roteiros culturais


ORLANDO CARDOSO
Associado da ADLEI 

O sucesso de uma viagem depende, naturalmente, do primeiro impacto que o lugar, ou sítio, visitados provocam no viajante. As alternativas desse primeiro contacto são simples: conquista-o e o sucesso da visita é óbvio, ou repele-o de um modo que, muitas vezes, se pode tornar definitivo.

É verdade que o viajante prevenido vale por dois e a prevenção tende a incidir cada vez mais sobre os materiais de apoio a que tem a possibilidade de aceder, garantindo-lhe o despertar necessário para a descoberta de encantos que podem ser, ou tornar-se, gratificantes. Contudo, numa sociedade de informação como a nossa, torna-se cada vez mais importante que os anfitriões promovam de modo sóbrio e atractivo os lugares que lhes couberam em sorte, recusando muito do lixo que se divulga como sendo propaganda turística.

Viajar é um acto cultural que se distingue de turismo, diferença de que falaremos em próxima oportunidade. É fundamental para o viajante dispor de materiais de apoio que possam ir ao encontro dos seus interesses. Isso implica um esforço das entidades responsáveis na organização de roteiros temáticos capazes de ajudá-lo a organizar os seus trajectos sem necessitar de outro guia além do roteiro que leva nas mãos.

Os roteiros culturais podem e devem ser diversificados, abrangendo as mais diversas áreas. Eles não se excluem uns aos outros, mas completam-se e cumprem a sua função de dar uma visão completa do que há para oferecer. Compete aos responsáveis pela dinamização cultural leiriense a vontade de implementar, na prática, estes percursos, tornando-os numa realidade permanente e não apenas pontual. As bases desse trabalho estão lançadas, urgindo a sua potencialização e diversificação em áreas eventualmente não abordadas.

A região de Leiria, mais precisamente a cidade, possui hoje alguns roteiros culturais que vão no sentido da unidade na diversidade de que falámos atrás. Embora a sua elaboração não tenha tido uma coordenação efectiva, nem sido planificada, estes roteiros resultam do esforço de muitas pessoas que amam a cidade e que fizeram trabalhos de qualidade muito acima do que é habitual encontrar noutras paragens. De facto, Leiria dispõe de roteiros sobre o Castelo, Korrodi, Miguel Torga, do Moinho de Papel à Tipografia, Leiria Queirosiana, o Centro Histórico, Compras e outros. Estes roteiros permitem, actualmente, ao visitante conhecer e fruir aquilo que torna a cidade peculiar e fascinante.

Leiria não é apenas um lugar “onde há umas ruínas”, como escreveu Eça de Queirós. Mas é necessário que o âmbito dos roteiros culturais que temos se alargue em termos temáticos, de modo a que seja possível assumir que há muito mais para ver, além do castelo.

in Diário de Leiria, 25 de Abril de 2011

sexta-feira, 29 de abril de 2011

«Luciano Amaral defende que crise actual é herdeira da crise de 1973-75»



«Não se pode continuar a comprar mais do que se vende indefinidamente, a não ser que nos financiemos com empréstimos. Mas haverá um dia em quee acho que todos percebemos que esse dia é agora. A análise é do economista Luciano Amaral que esta noite participou na conferência Economia: crescimento versus desenvolvimento, promovida pela ADLEI – Associação de Desenvolvimento de Leiria e pela Livraria Arquivo.

O autor do livro Economia portuguesa: as últimas décadas, elencou diversos problemas da economia portuguesa, considerando que Portugal ainda não conseguiu ultrapassar por completo a crise económica de 1973-75. Trata-se de um período que conjugou um choque petrolífero, um incremento dos salários em cerca de 30 por cento e a entrada de 600 mil pessoas – regressadas das ex-colónias – que engrossaram a população activa.

Luciano Amaral defendeu ainda que a economia portuguesa conseguiu melhorar com a entrada na CEE, com o acesso a novos mercados, acompanhados de uma queda no preço de petróleo e a sistemática desvalorização da moeda, durante 13 anos até ao início da década de 90.

Contudo, explicou, a necessidade de levar a cabo a política monetária que nos permitiu adoptar o Euro, conjugada com a queda nas remessas dos emigrantes, retiraram competitividade à economia e inviabilizaram o seu crescimento. Ainda crescemos entre meados dos anos 90 e o início do século, mas foi sobretudo com base na despesa pública, sustentou. Portugal vem acumulando défices com o exterior, numa economia com problemas de produtividade, apontou ainda.

Para Luciano Amaral, os diversos cenários para sair da crise serão complexos, admitindo que a eventual saída do euro, a saída fácil, seria dramática no curto prazo. Desta forma, adianta, teremos a desvalorização real, com os cortes salariais.

A comentar a intervenção de Luciano Amaral, Amado da Silva, presidente da Autoridade Nacional de Comunicações (ANACOM), lamentou os cortes salariais cegos na função pública. E referindo-se às frequentes críticas à chanceler alemã Angela Merkel, considerou que a Alemanha não tem razões para protestar. Afinal, sustentou, durante anos desrespeitou um dos pilares da política monetária europeia, com níveis de dívida pública acima dos 60 por cento do PIB, ao contrário de Portugal que se manteve dentro dos limites até há poucos anos. Agora que tem o problema resolvido, manda recados, lamentou. Amado da Silva questionou ainda a razão de ser da política expansionista ensaiada em 2009 que precipitou o país para a actual situação.

Este ciclo de conferências, denominado O País e a Região, que futuro?, prossegue dia 11 de Maio com o sociólogo António Barreto e o empresário Henrique Neto e será subordinada ao tema Pensar o País».

in Região de Leiria, 28 de Abril de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jantar Debate «Crise Actual: perspectivas e caminhos para Portugal e para a Região de Leiria»

A ADLEI tem o prazer de convidar V. Ex.ª para o jantar debate Crise Actual - perspectivas e caminhos para Portugal e para a Região de Leiria, com João Salgueiro, a realizar no dia 5 de Maio '11, pelas 20h, no Restaurante Ordem dos Engenheiros. Confirme a sua presença até ao dia 30 de Abril '11, através do telefone 244 815 160 ou para o email adlei.leiria@gmail.com.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Conferência «Mudar a Escola»

No passado dia 14 de Abril a ADLEI, em parceria com a Livraria Arquivo e a Fundação Francisco Manuel dos Santos, levou a cabo a primeira de três conferências do Ciclo O País e a Região: que futuro?, com o tema Mudar a Escola, com David Justino e Anabela Graça.



Algumas ideias soltas do Professor David Justino

«É importante decidir sobre o que se quer construir para os próximos 20 ou 30 anos. Que tipo de sociedade queremos.»

«A escola tem de partilhar funções educativas com outras instituições (...). Os cidadãos têm de se organizar fora do contexto do espalhafato da comunicação social, para pensar e discutir os problemas da escola e da educação.»

«O processo educativo tem forçosamente que se debruçar mais sobre o raciocínio do que sobre o caderno. Contudo, há formas de ensinar e aprender que se irão manter. Tem de haver sempre acumulação/transmissão de conhecimentos. Caso contrário, será estimular a criatividade da ignorância. Será aprofundar a ignorância.»

«Há que libertar a escola da burocracia que se abateu sobre ela, e deixar os professores mais disponíveis para o processo educativo.»

«A autonomia sem descentralização de poderes é apenas contribuir para que as Escolas se fechem cada vez mais sobre si mesmas. As Escolas deveriam assumir uma organização comunitária, aberta a todos os stakeholders, com uma cultura de cooperação. Todavia, cada um deve concentrar-se a desempenhar bem o seu papel.»

“As escolas também têm de saber exigir mais autonomia e capacidade de decisão.”

«A participação dos pais nos Conselhos Pedagógicos é inadequada. Trata-se de um órgão estritamente técnico, mesmo nas questões da indisciplina. A indisciplina é um assunto pedagógico, não é um tribunal e deve resolver-se na sala de aula e não no divã do psicólogo.»

«Se os pais desempenhassem bem o seu papel em casa, os professores o seu papel na escola e os psicólogos no consultório - cada um no seu lugar -, fariam melhor o seu papel, tudo funcionaria melhor e seriamos certamente mais felizes!»