quarta-feira, 6 de abril de 2011

Leiria e a sua região: alguns dados e muitas interrogações

J. CADIMA RIBEIRO
Associado da ADLEI

1. Afastado que estou do quotidiano de Leiria, tomando o conceito em acepção ampla, a ligação afectiva que mantenho com este território leva-me a olhar com curiosidade para os dados que me vão chegando, acabando surpreendido pelo contraponto que se me oferece existir entre o sucesso económico que vai alcançando e a inexistência de um projecto (colectivo).

2. Uma ilustração ainda recente da realidade a que aludo pode ser encontrada no “Índice Sintético de Desenvolvimento Regional”, onde, no “índice global” o Pinhal Litoral, unidade estatística onde se integra Leiria, aparece na 2ª posição. Ladeando a NUT III Pinhal Litoral encontramos a Grande Lisboa, em expectável 1º lugar, e o Baixo Vouga.

3. O desempenho que identifico foi alcançado num quadro de estagnação do país, o que acaba por reforçar o mérito do percurso feito. Não quer isso dizer que o território em causa não padeça de constrangimentos vários, que o “índice de competitividade”, presente no mesmo relatório, põe a nu, ao posicioná-lo na 10ª posição. Pior é o retrato que lhe fica na dimensão “qualidade ambiental” (dados de 2006), onde cai para a 21ª posição, num total de 30 NUT III.

4. Referi-me a Leiria em acepção ampla, isto é, se quiserem, à “região de Leiria”. Por outro lado, na invocação de dados, trato do Pinhal Litoral, que será um conceito estreito de região de Leiria. Se a leitura de “região” fosse feita em acepção mais ampla, as coisas complicar-se-iam. Na verdade, ao lado do Pinhal Litoral, o Pinhal Interior, Norte e Sul, e o Oeste são realidades bem diferentes.

5. Na linguagem comum usa-se o termo região em muitos sentidos. Por contraponto, esclareça-se que uma região é, em primeiro lugar, uma comunidade no sentido subjectivo do termo. Tem implícito o sentimento de pertença. É muito mais que um território delimitado por uma “fronteira”, uma estrutura de poder, uma unidade territorial para fins estatísticos. É nesta dimensão que a região pode ser pensada como instrumento de desenvolvimento.

6. Quer-se com isso dizer que, pese o desempenho global positivo que a “região” manteve na última década e meia, é discutível que possa continuar a prescindir de uma estratégia activa. Num quadro de competição aberta, a coordenação de acções, a parceria entre agentes de desenvolvimento, a reunião de massas críticas e a definição esclarecida de apostas em produtos com futuro não parece poder viver exclusivamente de inércias.

in Diário de Leiria, 28 de Março de 2011

sábado, 2 de abril de 2011

Conclusões da Reunião Aberta «O que fazer pela minha região?»


A Região (Pinhal Litoral) tem mantido, nos últimos anos, uma posição de topo no “índice global de desenvolvimento regional”. O sucesso económico alcançado (conseguido num quadro geral de estagnação) e o bom desempenho à escala do país não podem, contudo, iludir dimensões da realidade regional que são fortes constrangimentos ao seu desenvolvimento. De entre esses constrangimentos sobressaem o seu mediano posicionamento relativo, medido pelo “índice de competitividade” (carências ao nível da inovação/tecnologia), o recuado posicionamento na dimensão da “qualidade ambiental”, a baixa massa crítica em vários domínios que a possa afirmar como um território competitivo e a projecte no plano nacional e internacional. Aqui faltam parcerias regionais e internacionais, assim como uma clara definição de aposta e de reunião de vontades e iniciativas em sectores económicos de futuro.

Continua, pois, a faltar uma estratégia activa para o território e uma liderança que agregue vontades e projectos, envolvendo empresas, universidades, politécnico e unidades de transferência de tecnologia, entre outros.
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É fundamental, neste âmbito, pensar a região como um espaço sentido e vivido, construído na criação e no reforço de parcerias entre agentes de desenvolvimento, na coordenação de acções entre instituições e forças vivas regionais e que se possa considerar para além da área da Comunidade Intermunicipal do Pinhal Litoral.
É importante, no imediato, a concretização de espaços de reflexão conjunta de aprofundamento da realidade regional, de procura de opiniões e definição de objectivos comuns que se tornem suportes para uma estratégia de desenvolvimento que afirme a região por si própria, a partir da potenciação dos seus recursos. Neste sentido foram apresentadas algumas sugestões como um Fórum trimestral e um Fórum cívico na Praça Rodrigues Lobo.
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Deve, também, manter-se activa a exigência de soluções que visem:

- concluir com urgência a rede rodoviária transversal;

- modernizar a Linha do Oeste;

- construir uma acessibilidade aérea a pensar no incremento turístico a partir do low cost, consensualizando uma opção de localização com urgência;

- melhorar a coordenação de eventos regionais a pensar no desenvolvimento turístico;

- solucionar os problemas ambientais que se arrastam;

- melhorar a oferta regional de infra-estruturas de tecnologia de informação e de comunicação, combatendo os atrasos regionais;

- não subestimar o contributo da educação para elevar os níveis de competitividade, devendo o padrão de comparação ser o europeu e não o nacional;

- a necessidade de incrementar políticas activas de combate ao insucesso e ao abandono escolar e na qualificação da população activa;

- não abdicar e manter viva a consideração da oferta dos três graus no ensino superior público na região, visando dar um salto em I&D, mantendo no horizonte, se necessário e para esse efeito, a perspectiva da passagem do IPL a universidade.

Foi, igualmente, reconhecida a necessidade de valorizar e dar a conhecer a acção que se desenvolve ao nível intermunicipal (AMLEI, ADAE e CIMPL). Existem práticas e projectos muito positivos que mostram que há condições para aprofundar a cooperação intermunicipal e obter consensos em projectos comuns para a região, optimizando meios e recursos e dando resposta aos problemas do desenvolvimento local e das populações. Neste quadro é possível pensar a intervenção no território com programas que não sejam apenas o somatório de projectos municipais, mas o resultado de uma visão integrada de intervenção com novos projectos que valorizem e afirmem o território no seu conjunto. Devem ter-se em atenção os actuais problemas do financiamento do poder local, mantendo sempre presente a defesa da sua autonomia e das suas competências.
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Desta Reunião Aberta ficou registado um conjunto de opiniões que exigem debate e aprofundamentos futuros, como são o caso do papel do Estado/Parcerias Público - Privadas, da Segurança Interna/Justiça - Campus da Justiça em Leiria, dos sectores económicos em crise, dos graves problemas de exclusão social e o papel da Adlei na constituição de uma Agência de Desenvolvimento Regional. Entendeu-se, também, que é preciso prosseguir a reestruturação administrativa do Estado, dando coerência territorial aos órgãos desconcentrados da administração central e promovendo a descentralização efectiva de competências para a região.
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Considerou-se necessário contrariar o actual processo de centralização e esvaziamento de funções na região, assim como manter aberto o debate sobre o modelo de descentralização e de regionalização.

Finalmente entendeu-se considerar com urgência os problemas dos sectores do turismo, da construção civil e da cerâmica, exigindo apoios específicos à sua reestruturação e valorizar o papel da agricultura regional na criação de emprego, no contributo para a superação do nosso défice alimentar com o reforço dos apoios aos jovens agricultores, na dinamização de mercados locais de venda de produtos agrícolas e de redes de lojas no exterior, entre outros.



quarta-feira, 30 de março de 2011

«Leiria tem problemas de competitividade»


Estratégia, desenvolvimento, massa crítica, competitividade, criação e liderança são alguns conceitos que a região de Leiria tem de seguir para se afirmar no contexto nacional. Assim pensam responsáveis de associações, entidades e políticos, que procuraram responder a pergunta "O que fazer pela região?", numa acção promovida pela Adlei - Associação para o Desenvolvimento de Leiria.

A região de Leiria tem um "índice de desenvolvimento acima da média mas com problemas ao nível da competitividade". Assim pensa o professor universitário de Economia e Gestão José Cadima Ribeiro, que se propôs responder a questão "O que é hoje a região?", numa iniciativa da Adlei - Associação para o Desenvolvimento de Leiria, que juntou, anteontem, responsáveis de associações e entidades e políticos, no Mimo - Museu da Imagem em Movimento.

O objectivo abrangente era encontrar respostas para a pergunta "O que fazer pela região", mas, primeiro, o investigador e associado da Adlei deu algumas respostas e directrizes centradas na região do Pinhal Litoral, que integra os concelhos de Leiria, Pombal, Batalha, Porto de Mós e Marinha Grande.

No desempenho demográfico, entre 1995 e 2007, o "Pinhal Litoral teve o melhor desempenho", face a "um conjunto de atributos e dinâmicas que permitiram que se diferenciasse de outros territórios". No entanto, "o bom desempenho deste território não se ficou a dever em ganhos de produtividade, pelo contrário, ficou a dever-se à taxa de participação e a dinâmica demográfica", esclareceu José Cadima Ribeiro.

Usando dados da OCDE e do Instituto Nacional de Estatística, entre outras fontes, o professor universitário esclareceu que "o território [Pinhal Litoral], pensado globalmente, apresenta muito bom desempenho à escala do País, sendo certo que esse bom desempenho configura contributos muitos positivos de algumas vertentes, contrapondo algumas outras que puxam para trás o território".

Ou seja, o Pinhal Litoral aparece, nos últimos anos, em segundo lugar no Índice Global de Desenvolvimento Regional e Competitividade entre 30 unidades territoriais, mas está abaixo do índice médio de competitividade.

"Na medida em que no contexto actual é preciso reunir massas críticas para os territórios se projectarem dentro e fora do País em termos de concorrência e competitividade no quadro actual da economia, o Pinhal Litoral está mal posicionado, porque há vários outros territórios que conseguem reunir massas críticas significativamente superiores a Leiria. Obviamente há um problema que deve despertar preocupações em termos de equação estratégica", explicou José Cadima Ribeiro.

"Curiosamente, na componente de coesão social a situação não é muito má". O Pinhal Litoral está em terceiro lugar na componente de Coesão (elementos sociais e culturais), e é essa componente que "compensa quer a componente de competitividade quer a componente ambiental", que são "francamente penalizadoras", frisa.

"Continuo a questionar-me se o território tem uma estratégia. Eu acho que não tem. Isto é, há uma estratégia, mas é passiva, portanto, uma estratégia que resulta de inércias e não uma estratégia que é assumida", adiantou o investigador, sublinhando que o facto de do distrito fazerem parte concelhos que integram o Pinhal Interior Norte, o Pinhal Interior Sul e o Oeste, "cria a ambiguidade do que estamos a falar quando nos referimos à região de Leiria".

O docente concluiu que há a necessidade de trabalhar na criação de "uma liderança colectiva, e que não tem de ser, apenas, da componente política, mas deve, desejavelmente, ser uma liderança que conjugue os aspectos de afirmação institucional e a cooperação sócio-cultural".

in Diário de Leiria, 29 de Março de 2011
 (Nuno Henriques)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Associado da ADLEI cria movimento

O associado da ADLEI Micael Sousa criou o Movimento Anti-Corrupção. Dinamizado através da internet, o movimento visa alertar para o problema social da corrupção em Portugal, mas também discutir e apresentar soluções possíveis para o combate deste problema.

Na opinião dos responsáveis, a luta contra a corrupção passa pelo esclarecimento e responsabilização dos cidadãos, propondo uma actuação nas escolas e universidades, além da criação de uma petição, dirigida ao Presidente da Assembleia da República.

O projecto concorre no Movimento Milénio, uma iniciativa do jornal Expresso e do Millennium bcp, que visa revelar caminhos e tendências com impacto na vida dos portugueses. O blogue do movimento está a concurso no The BOBs - The Best os Blogs Deutsche Welle Blog Awards, na categoria de Activismo Social.

sábado, 26 de março de 2011

Reunião Aberta «O que fazer pela minha região?»

A ADLEI convida os seus associados para a reunião aberta «O que fazer pela minha região?». A iniciativa decorrerá no próximo dia 28 de Março de 2011, pelas17h, no M[i]MO - Museu da Imagem em Movimento, junto à Igreja de São Pedro (Leiria).


Conferências «Prevenir a Violência nas Escolas»

A ADLEI e o Centro de Formação da Rede de Cooperação e Aprendizagem (RCA) convidam V. Ex.ª, a assistir às conferências no âmbito da temática «Prevenir a Violência nas Escolas», a realizar nos dias 30 de Abril e 7 de Maio, pelas 15 horas, no Auditório 1 da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais, em Leiria. Aceda ao programa na imagem abaixo.